1 de março de 2011

Assim como assim...

Há dias e lembranças que vêm como hão-de ir, assim de repente, sem sequer se notar bem que estão por perto ou que é o tempo de sairem de cena. Há momentos desses, alturas em que se sente a falta daquele quê de pouca coisa ou quase nada, um qual sorver de vida que nos dava uma alegria imensa pelo simples facto de estar ali, ou de estarmos nós por perto para o apreciar. E depois há segundos transformados em horas de vazio, pontuado por acordes aqui e acolá, uma espécie de sons de músicas emergindo de um dentro de nós sem lugar certo, porém bastantes para tudo o resto valer a pena. Ah, valer a pena... Essa quase natural sensação de plenitude, até quando as páginas se viram sem querer, sei lá bem onde pára... algum nenhures perto de nada na fronteira de coisa alguma? Talvez, afinal é o que mais sinto no pensamento das gentes novas que sou e que vejo: um grande ponto de interrogação, desejos, anseios e... olhos postos noutro lugar. Que não este. Pena. Mas não é este.

9 de dezembro de 2010

É quase noite...

Tenho uma vista estonteante à minha frente. O fim de tarde cai no horizonte, uma série desalinhada de nuvens esfarrapadas recolora-se com os últimos fios de luz que o Sol empresta. Desta parede de vidro que escolhi por isto mesmo, que me separa do frio lá fora porém me aproxima do infinito, quase tirando o fôlego por quase me iludir sobre um chão que parece não existir sob os meus pés neste local, as luzes chegam até mim, as casas adivinham-se na enconsta e o mar, por entre o mover lento e pausado da chuva que prepara o se cair, insinua-se no meu olhar, pequenino, ou pelo menos não querendo roubar o protagonismo do fim de dia às cores, cheiros, sons e pensamentos que acontecem vindos do nada e de todo o lado.
Sentei-me em casa com esta vista, esta companhia e este sentimento de voltar a pegar nas palavras e deixá-las fluir, porque não faz sentido fechar as ideias e as emoções para mim.
Caminho todos os dias sozinha no meio da multidão, para poder sobreviver com o sofrimento e, ainda e sempre, sentir o sorriso nas pequenas conquistas daqueles que ajudo a tratar.
Acompanhada há outras coisas para sentir. Esta profissão, trabalho, sei lá, missão ou qualquer coisa de nome incerto que por vezes me irrita, algumas me faz questionar o porquê de aqui continuar, e outras ainda me delicia, vive-se para e por dentro por quem olha a morte de frente ainda o Sol vai baixo, ou quem vê um sorriso nascido daquele pequeno dirigir do olhar que parecia tão longe a uma família em desespero. No entanto, o resto da vida, que sopra também e com um vigor que não pode cair em desuso, vive-se na partilha de ser e do ser. De fazer, de sentir, de contar, de rir e chorar por motivo nenhum, quantas vezes ao nascer da manhã.
É neste equilíbiro tão difícil e desafiante que vivo diariamente, sei lá mais como quem. Às tantas como ninguém mais, sendo nós todos um todo tão diferente na nossa humanidade. E a mim, dá-me para a escrita. Desde que me conheço. Talvez para sempre.