10 de agosto de 2007

Dentro em pouco


Vou desaparecer do lugar de aqui por um tempo. Voando sem asas minhas, espero chegar à morada dos castelos e paisagens de outras eras, esquecidas no tempo, vivas na memória das leituras, do prazer de conhecer o que foi e permitiu que o hoje seja assim.

Vou rumar a horas idas.
E depois regresso. Com mais imagens, cheiros, texturas e paladares.
Regresso a esta existência.
Depois de ter partido de uma vivência diferente por instantes tornada real e... merecedora de silêncio. E cumplicidade.
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"Não sou capaz de descrever como tal aconteceu, nem que circunstâncias nos levaram até ali, mas o momento ficou-me para sempre gravado na memória. Descrevê-lo é revivê-lo, embora jamais permita que alguém o sinta da mesma maneira. (...) Há mundos que ficam fora do mundo dos comuns por estarem fora do conhecimento vivido pelo conjunto dos cinco sentidos."
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[In Um Minuto de Silêncio]

4 de agosto de 2007

No banco de café

Simplesmente está para lá do que possas querer. Está muito além dos dias que passas olhando para um céu sem fim, das noites que me dizes serem frias e sem sentido, das madrugadas em que, errante, te passeias sem rumo nas ruas estreitas da cidade escura, sem vida; ou sem a vida que queres que tenha ou sem aquela que conheces e não temes. Está tão fora o teu entendimento que nem tão-pouco arriscaria pensar que possas compreender que não sabes do que se trata. Já o tentei fazer. Imaginar. Fazer-me crer que poderias almejar esse saber. Ingénua forma de pensar essa que me tolheu o verdadeiro pensamento! Como me enganei! Como pensei que as subtilezas mais gritantes pudessem ser-te também evidentes! Só agora, neste banco de café, paredes meias com uma grande janela sobraceira à cidade em reboliço, dou a mão à palmatória e decido decididamente e sem dúvidas, que sei muito mais dessa tua ignorância do que deste natural fumegar que se eleva da minha chávena, pendente entre dois dedos. E se assim é, para quê teimar? Insistir em quê? Em ser "não exactamente aquilo que queria"? (...) Vai ser de rompante. De enfiada, como diz o puto lá da rua. Fácil, difícil, doloroso, aliviante. Um misto de tudo, quem sabe. Ou mesmo nada disso. E então apenas o fruto natural de uma necessidade inexplicável, que deixará marcas de sangue um pouco por todos e cada um dos caminhos que for trilhando no teu encalce. (...)

Recuperado do caderno, Agosto/'06

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Julho/'06, Foz do Porto