31 de julho de 2008

Assim, aqui

Vejo meio céu azul e meio céu cinzento. O azul caminha para cima e para cá. O cinzento foge depois de ter chovido a água de um Verão sem cheiro a erva quente; antes, uma estação de terra húmida, minhocas gordas, pés molhados ao sair do carro. Um reflexo vermelho salta da janela de uma casa lá ao longe, no fim da estrada que vejo desde lugar mais alto. É o Sol que se mostra e que ninguém vê, ansiando chegar a casa e mergulhar num banho quente, com Sol ou sem Sol, tanto faz.
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Um céu a duas cores.Curioso.
Estará alguém lá em cima, com pernas fininhas, olhos esbugalhados, cabeça fumegante? Vendo o teatrinho cá em baixo?
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26 de julho de 2008

Guias

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Às vezes olho para as poeiras caídas no vidro, deixadas sobre a transparência e molhadas pelos chuviscos que caíram ao fim da tarde. Fico a vê-las cair devagarinho ao chegar de um vento fresco, estranho ao tempo e às horas destes dias.
Perco-me nos contornos do pó e descubro constelações sem nome sobre os telhados transparentes, pintalgados pelo orvalho, coloridos pela água que verteu do céu.
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E adormeço. Sem arrepios, sem ilusões, sem gente no sofá ao lado. Com a memória de um tocar de cabelos.
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